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Lendas Urbanas / Histórias Incríveis

O livro que comprei no sebo


Marina Ferraz

Enviado por Marina Ferraz em 9 de Setembro de 2008. Escreva para o autor

Meu nome verdadeiro não é Marina Ferraz: tal identidade é apenas um pseudônimo. Gosto muito de escrever e espero levar essa paixão por toda a vida, também me interesso pelo sobrenatural.


Eu lembro que quando era pequena, comprei um livro no sebo. O livro era bem chamativo, com a imagem de uma fada que subia aos céus.

Logo que cheguei em casa, fui pronta para devorá-lo, pois estava muito curiosa à respeito do livrinho. Mas, atenta como sou, resolvi ler a parte de trás. Ali tinha escrito: "Livro dedicado à minha filhinha, que um dia reencontrarei". Então comecei a ler o livro.

Ele contava a história de uma fada chamada Ângela que não era tão bonita quanto as outras. No entanto, a fada era feliz e sempre vivia alegrando todo o lugar que passava. Mas havia outra fada, muito invejosa e descontente com a alegria de Ângela, essa fada chamava-se Berenice. Berenice era uma das fadas mais bonitas do reino, sua beleza chamava a atenção de todos. Mas Berenice não se sentia feliz. Ela não sabia por que Ângela era tão feliz, se não era tão bonita quanto ela!

Então, muito invejosa, Berenice chamou a inocente Ângela para um passeio. Neste passeio, Berenice disse que Ângela era horrorosa e que os outros só tinham pena dela. Ângela entristeceu, voou para bem longe daquele reino, acreditando cegamente no que Berenice havia dito.

Ângela subiu em uma árvore, sob o olhar da Lua. Chorava muito, contemplou-se n'água.

- Ora, se todos têm pena de mim, não tem mais sentido de eu viver! - ela exclamou.

Então, sem pensar duas vezes, Ângela atirou-se à água gélida e funda.

Muito tempo se passou, todo o reino sentia a falta de Ângela. Berenice se arrependeu do que havia dito àquela fada, antes tão feliz. Passou a procurar Ângela por todos os reinos e não achou a fada desiludida.

Então Berenice viu a majestosa Lua. Hipnotizada por aquela linda paisagem, ela aproximou-se. Então, sentiu a presença de Ângela. Tal foi o seu susto quando Ângela saiu das águas... seu olhar era sereno, agora estava mais bonita que Berenice!

- Ângela, é você? Vamos voltar para o Reino, todos estão sentindo a sua falta!

- Berenice, já não pertenço mais àquele lugar. Agora eu vivo em um lugar lindo e sem maldade, onde só há alegria!

- Eu fiquei muito triste pelo que você me disse. Mas não precisa se desculpar, pois agora eu sei que a minha beleza interior é muito mais importante do que essa beleza que você tanto preza. Sou feliz assim!

- Mas, por favor, Ângela, desde que você se foi o Reino já não é mais o mesmo! Não há mais alegria, todos sentem muito a sua falta!

- Me perdoe pelo que eu disse, agora eu sei que a beleza exterior já não é importante.

- Pensasse nisso antes de acabar com minha felicidade... Meu lugar não é no Reino. Volte lá, você é bonita e tem todos os rapazes que quer.

- Não se preocupe comigo, pois estou bem e muito feliz. Preocupe-se com você e com o Reino, trate bem todos à sua volta.

- Ângela, por favor...

Mas Ângela não a ouviu, mergulhou naquelas águas cristalinas e nunca mais fora vista. Seu corpo desceu às águas, seu espírito subiu aos céus. Para a felicidade...

Aquele livro me tocou muito. Por várias noites eu tive um sonho esquisito: a história era quase a mesma, mas Ângela tinha outro rosto, de uma garotinha... Sonhei muito com aquele livro. Então, resolvi contar para a minha melhor amiga, eis que ela me diz:

- Minha prima já leu esse livro e teve o mesmo sonho! Então, ela foi falar com a professora dela. E a professora disse que essa história foi criada por uma garotinha de apenas sete anos, cuja alegria contagiava todos à sua volta.

- Mas ela tinha uma colega que não gostava disso, e sempre inventava mentiras e falava mal dela, só para que a menininha ficasse triste.

- A menininha fingia não se importar, mas aquilo a perturbava de verdade. Um dia ela pegou uma pneumonia tão forte que acabou falecendo. Sua mãe resolveu fazer uma homenagem: pegou a historinha que a filha estava escrevendo e fez um livro.

Fiquei meio confusa, e indaguei:

- Mas o que isso tem a ver com o sonho?

- Dizem que a mãe da menina foi a um Centro Espírita. Lá, eles disseram que a história seria a melhor forma de homenagem. Porém, a mãe todos os dias não parava de pensar na filha, todos os dias chorava e lamentava a morte prematura da criança.

- Sendo assim, a menina não pôde reencarnar. A mãe dela hoje já é falecida, afinal, essa história aconteceu na década de 30 e publicada na década de 50.

- Nossa, que história arrepiante! O que parecia ser um conto de fadas virou algo tão sério - eu falei aquilo muito espantada.

Lembro que no outro dia devolvi o livrinho e nunca mais tive sonhos com aquela menina. Mas até hoje lembro com detalhes da história e do sonho.

E você, leitor, tem alguma história semelhante?

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