Quando a Quinta das Lágrimas era uma mata
No tempo de Pedro e Inês a zona onde hoje fica a Quinta das Lágrimas era uma mata que pertencia à coroa. Havia ali um pequeno pavilhão onde os caçadores pernoitavam ou descansavam depois de terem cavalgado atrás de veados, raposas, javalis. Aqui e além brotavam nascentes de água fresca, límpida, boa para matar a sede às plantas, aos animais e aos homens que por lá passavam. Uma das nascentes alimentava um lago do qual saía um regato que fornecia água precisamente ao Convento de Santa Clara. Parece que esse regato terá servido de meio de comunicação entre os dois apaixonados. Conta-se que o príncipe punha a navegar pequenos barquinhos de madeira onde depositava cartas de amor. E os barquinhos lá seguiam ao sabor da corrente, atravessavam os campos, transpunham a cerca do convento e eram recolhidos por Inês, que respondia usando o mesmo processo. Durante algum tempo teriam eludido a vigilância de todos os que queriam afastá-los continuando a trocar palavras doces e juras de amor eterno. Mas um dia o rei expulsou-a do país. Dona Inês refugiou-se do lado de lá do Alentejo, no Castelo de Albuquerque, que pertencia à sua família. Apesar da distância, a correspondência não parou. Mensageiros contratados por D. Pedro viajaram secretamente dum lado para o outro da fronteira tendo como única missão entregar cartas de amor.
Cada vez mais apaixonados, Pedro e Inês não sabiam que voltas dar à vida quando mais uma vez o destino se encarregou do assunto. Dona Constança morreu ao dar à luz o terceiro filho. D. Pedro ficou viúvo e livre. Assim já não havia motivos válidos para impedir Inês de regressar. Ela voltou, passaram a viver juntos, mas à margem da corte e sem a aprovação do rei. Durante vários anos circularam pelo Norte do país, instalando-se ora num castelo ora noutro, acompanhados por amigos do príncipe, familiares de Inês, servidores. O casal teve 4 filhos seguidos, Afonso, que morreu em criança, João, Dinis e Beatriz.
Aquela situação nunca foi bem aceite na corte e havia quem acusasse Inês de todos os males possíveis e imaginários. Se o príncipe andava longe e não se interessava pelos assuntos do reino, a culpa era dela.
O facto de viverem juntos sem serem casados atraía maldições e desgraças para o país... etc....
Quando o príncipe resolveu descer até Coimbra para passar uma temporada com a mulher e os filhos no tal pavilhão de caça da mata real que hoje se chama Quinta das Lágrimas, o falatório redobrou. Como é que D. Pedro se atrevia a trazer a amante para Coimbra? Isso era insulto à memória da rainha Santa Isabel, que elegera aquela cidade para repousar eternamente. E a má língua não tinha limites. O rei e a rainha estavam perto, no castelo de Montemor-o-Velho. Homens e mulheres da corte envenenaram-lhes o juízo inventando histórias terríveis. Diziam que os parentes de Inês podiam muito bem se lembrar de lhes matar o neto mais velho, (o prínipe Fernando, filho de Pedro e Constança)para que fosse um filho de Pedro e Inês sentar-se no trono. E acusavam os Castros de se chegarem ao príncipe para ganharem importância e tentarem D. Pedro a meter-se nas guerras de Espanha. Enfim, ente calúnias e acusações foi surgindo a ideia de que era indispensável encontrar uma solução definitiva para pôr fim ao romance e a solução era matar Inês de Castro.
Não perca a continuação da lenda: "Um crime horrível e inesquecível" e "A mancha vermelha", em "O Romance de Pedro e Inês III".
Texto retirado do livro: "Uma Aventura na Quinta das Lágrimas" de Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães.
1 Comentários para "O Romance de D. Pedro e Inês de Castro II". Deixe o seu
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faty | 9 de Março de 2006 | Escreva para o autor do comentário Assine agora!
Pedro tinha casado com Ines,vi o documento no arquivo,e foi isso a causa da morte dela,nao pelo facto de ser amante,pois amantes tinham os reis as duzias...Assim os filhos dela seriam legitimos na ascencao ao trono,coisa que o pai de Pedro nao queria,e foi ele que a mandou matar,dizendo no entanto para pouparem os netos...querido avozinho...
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