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Lobisomens: A Genética e a Origem do Mito

Acredita-se que o mito do lobisomem tenha surgido na Europa devido aos casos de hipertricose, uma disfunção genética em que as faces e outras partes do indivíduo cobrem-se de pêlos espessos, conferindo-lhe uma aparência de lobisomem.


Paulo Soriano

Enviado por Paulo Soriano em 8 de Abril de 2007. Escreva para o autor


É noite de plenilúnio.  A Lua  atinge o ápice de seu majestoso passeio na abóbada celeste.  Então, uma força sinistra, que escorre com o luar, aguça os sentidos de  um homem.  O seu olfato torna-se apurado; a sua audição, requintada. Segue-se,  então,  a dolorida transformação.  O homem, aos poucos,  transforma-se em um lobo faminto e feroz.  Esvaziado de razão e de humanidade,  ele corre sob o luar, sedento de carne e sangue humanos.  Ele é todo instinto. Ele é um lobisomem.

Assim é a lenda.  Mas, subjacente à lenda, fincada em suas seculares  raízes,  pode estar um raro distúrbio orgânico, ao qual os cientistas chamam hipertricose.  Acredita-se que o mito do lobisomem tenha surgido na Europa devido aos casos dessa singular alteração genética,  conforme pontua Nelson Botter Júnior, autor do livro “A lenda do lobisomem Caolho” (www.lobisomemcaolho.hpg.ig.com.br).

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (www.sbcd.org.br),  a hipertricose é  um crescimento desproporcional de pêlos em qualquer parte do corpo.  “A doença  pode ser congênita ou adquirida, difusa ou localizada. A distribuição e o número de pêlos variam conforme a raça (pretos e amarelos têm menor pilosidade que brancos), cor, influência genética e constitucional.”

A modalidade da disfunção que, provavelmente, deu origem ao mito dos lobisomens,  tem fundamento  genético.  As faces e  outras partes do indivíduo  cobrem-se de pêlos espessos, conferindo-lhe uma aparência de lobisomem.

Há casos famosos de hipertricose. Armando J. C. Bezerra, em seu livro “As belas artes da Medicina” (www.portalmedico.org.br/biblioteca_virtual/belas_artes/sumario.htm),  registra  o interessante caso de Pedro Gonzalez. “Nascido em Tenerife, nas Ilhas Canárias, em 1556, Pedro foi dado de presente à corte de Henrique II, como se fosse um bichinho de pelúcia. Ele teve três filhos (duas meninas e um menino) e um neto, todos com a mesma doença. Em razão de sua inteligência e de sua presença marcante, Henrique II fez dele um de seus mais importantes embaixadores”. 

Segundo Bezerra, os González eram vistos como   aberrações da natureza,  sendo requisitados como espécimes para aulas em alguns países da Europa. “Eram também exibidos durante festas promovidas na corte, como exemplos de ‘como a natureza maligna podia invadir um corpo humano pecador’".

Em nossa história, há o registro de Petrus Gonsalvus, um poderoso comerciante e armador português do século XVII, que instalou importantes empresas no Brasil (confira: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061014074433AAWHatP&show=7).

Atualmente, os irmãos Fajardo, artistas circenses mexicanos, fazem grande sucesso  em razão da aparência singular que ostentam. Os irmãos, mundialmente conhecidos,  já estiveram no Brasil, apresentando-se em programas de televisão.


Irmãos Fajardo

Mas é possível que o mito do lobisomem não esteja radicado apenas na aparência física dos indivíduos. O desvio de comportamento de certas pessoas pode ter sido um dos fatores determinantes à criação do mito. “Em psiquiatria – adverte Nelson Botter Júnior -   a licantropia aparece como uma enfermidade mental com tendência canibal, onde o doente se imagina estar transformado em lobo e, inclusive, imitando seus grunhidos. Em alguns casos graves, esses pacientes se negam a comer outro alimento que não seja carne crua e bem sanguinolenta.”

Associando distúrbios genéticos a comportamentos animalescos, cria-se um mito.  Mas ainda permanece um mistério. Até hoje, não se sabe explicar a influência da Lua como fator catalisador da horrenda mutação.

8 Comentários para "Lobisomens: A Genética e a Origem do Mito". Deixe o seu

  • lê

    lê | 22 de Novembro de 2008 | Escreva para o autor do comentário

    eu acredito que é mesmo uma doença genética,que faz muita gente tirar proveito de um modo ou de outro,mas ultimamente não tenho duvidado muito de nada,inclusive quando se trata do lado sobrenatural do espiritual,mas uma vez eu estava viajando com meu pai pelo interior de minas e era noite alta,quando na frente do carro passou uma 'coisa' tipo um lobo enorme,mas foi muito rápido,mas era um animal rápido,todo peludo e grande...foi algo muito estranho...vai se saber o que era e ainda meu pai foi atrás com uma arma na mão,onde desceu do carro e foi tentar ver o que era aquilo.fala sério...a gente nunca descobriu,pois o bicho sumiu pelo mato e era uma estrada erma e escura sem carro nenhum passando,pois nós vimos o tal bicho através dos faróis do carro e parecia um grande,mas grande mesmo,lobo correndo assustado...vai se saber...

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  • asdrubal

    asdrubal | 30 de Junho de 2008 | Escreva para o autor do comentário

    muito interesssante

    Responder este comentário
  •  Juninho

    Juninho | 25 de Junho de 2008 | Escreva para o autor do comentário

    Além dos distúrbios genéticos e psicológicos, existem os
    casos que são relatados de totemismo do lobo! Como a
    descrição no "Dicionário do Fantástico", editado pela
    Editora Três, como edição especial da revista PLANETA,
    parece no ano de 1975, haveria ligação entre a alma do feiticeiro e a alma coletiva dos lobos!

    Responder este comentário
  • Xavier

    Xavier | 19 de Junho de 2008 | Escreva para o autor do comentário

    Daniel vc acredita realmente em lobsomens? Acredito que no Idade Média quem tinha essa doença deveria ficar vagando pra não ser morto na fogueira e deveria sair somente a noite e como não existia energia eletrica só eram vistos em lua cheia dai acharem q eles só saissem nestes dias...nada cientifica apenas ideia minha...

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  • andre gaspar

    andre gaspar | 19 de Junho de 2008 | Escreva para o autor do comentário

    "Origem do Mito" como nome ja diz é apenas um mito que tem verdades e fantasias num viaja naum!!

    Responder este comentário
  • Daniel

    Daniel | 17 de Junho de 2008 | Escreva para o autor do comentário

    Realmente isto é verdade, mais ainda sim temos algumas questões não respondidas.

    Qual a influencia da lua?A lua não influencia nesta doença dos pelos.

    A Licantropia tudo bem, é uma doença mental, pode ser mais propicia aparecer na lua cheia, e pode ir embora temporariamente.

    Mais, como se explicaria a transformação da pessoa em lobisomen se esta doenças dos pelos é permamente?E bom, quando existe pessoas com esta doença, todos ficam sabendo, se eu morasse numa cidade do interior(onde aparece mais lobisomens) e existisse um vizinho com esta doença, eu con certeza iria saber disto.

    E bom, para isto coincidir, teria de ser uma pessoa com licantropia e a doença dos pelos, e as duas são raras, quanto mais as duas juntas.

    Para falar a verdade fiquei decepcionado com a materia, quando li "origem do mito" pensei que fosse a historia da origem dos lobisomens, como eles e os vampiros nasceram de um ancestral comun, como eles começaram a guerra entre eles, e por ai vai.

    Responder este comentário
  • FRANCISCO ALDENÍZIO OLIVEIRA BARROS

    FRANCISCO ALDENÍZIO OLIVEIRA BARROS | 17 de Junho de 2008 | Escreva para o autor do comentário

    O MITO PROVAVELMENTE DEVE TER SURGIDO DO PRECONCEITO COM AS DIFERENÇAS PARA ÉPOCA EM QUESTÃO, NÃO SE TINHA CONHECIMENTOS SOBRE TAL DOENÇA ISSO AGRAVAVA AINDA MAIS À SITUAÇÃO.

    Responder este comentário
  • janaina oliveira

    janaina oliveira | 10 de Abril de 2007 | Escreva para o autor do comentário

    Isto realamente é genético e ninguém pode contestar somente a medicina.

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