Descoberta de sepultura revela antigo reino Cólquita
Notícia publicada no Pravda English em 08/08/2005
Uma sepultura Cólquita ou Colchis (Kolkis) foi descoberta no jardim de uma residência no vilarejo de Tsaishi Zugdigi, na República da Geórgia. Colchis ou Cólquita é o nome de um reino extinto; uma civilização que floresceu há cerca de dez séculos antes de Cristo. Textos antigos afirmam que suas terras férteis eram situadas na atual Geórgia, país do leste europeu, às margens do Mar Negro. Sua existência foi resgistrada pelo grego Herótodo, chamado "Pai da História". Tradições mitológicas mencionam o reino dos Colchis como o destino final da missão dos Argonautas, um grupo de cinquenta homens, escolhidos entre os mais destemidos heróis gregos, que lançaram-se ao mar em busca do Tosão de Ouro (pele de um carneiro com pêlos de ouro que um dia pertencera ao deus Mercúrio).
Os primeiros exames já começam a confirmar a autenticidade e a referência mitológica da sepultura. Em seu interior foram encontrados objetos únicos. Em entrevista para a agência de notícias Novosti-Gruzia, o chefe da pesquisa arqueológica, Revaz Papuashvili, disse o primeiro indício foi encontrado em 1997 por Mr. Tapuria, morador do local: era um bracelete de bronze. Logo, outras peças foram encontradas no jardim da casa onde mora a família. Finalmente, Mr. Tapuria decidiu informar sobre os achados ao Museu Histórico de Zugdidi, que repassou a informação ao Centro de Estudos Arqueológicos da Academia de Ciências da Geórgia. Desde então as escavações foram inicadas e, no início deste agosto de 2005, os trabalhos alcançaram uma sepultura, há 1,6 metros de profundidade, contendo mais de 600 objetos que remontam oito séculos antes da era Cristã.
Entre as antiguidades do túmulo Cólquita há esculturas de bronze representando bois e carneiros, uma mulher conduzindo um cavalo com uma criança no lombo, numerosos pigentes, alfinetes, broches e peças de colares, do tipo contas, todos de ouro, exceto algumas das contas ornamentais, muitas confecionadas em opalina e vidro. Também foram resgatados cinco cintos de um tipo característico da região central Transcaucasiana, ornamentados com gravuras que retratam aspectos da vida cotidiana da época, além de machados, lanças, vasos de cerâmica bem conservados e utensílios domésticos.
A análise do material combina com os dados históricos e modelos conhecidos da ourivessaria e joalheria do povo Cólquita encontrados em sítios históricos gregos, por exemplo.
O achado, como um todo, confirma que a sepultura pertence a um período da antiguidade durante o qual um intenso comércio marítimo desenvolvia-se entre os povos orientais e os reinos-cidades dos Balcãs (região da Grécia). As contas de vidro e opalina foram, muito provavelmente, importadas do Egito e da Síria.
Ossos de pernas e braços revelaram que duzentas pessoas foram enterradas no local. O modo como foram sepultadas essas pessoas indica que foram observados rituais antigos dos Cólquitas descritos por historiadores gregos, como Apolônio de Rodes.
O mito dos Argonautas, estreitamente ligado ao reino dos Cólquitas, ganha maior credibilidade com a descoberta desta sepultura porque, até então, a própria existência do reino Cólquita era posta em dúvida pelos estudiosos. Sua localização jamais tinha sido determinada e não havia nenhuma pista arqueológica, nenhum rastro desse povo. As descobertas recentes conferem um novo grau de credibilidade aos historiadores e geográfos da antiguidade que sempre assinalaram o local do misteriso reino na região onde a sepultura foi encontrada, na Geórgia de hoje, às margens do Mar Negro.
fontes:
- http://english.pravda.ru/science/19/94/377/15900_argonaut.html
- Mitologia grega, vol. II. Argonautas. São Paulo: Victor Civita, 1973
tradução e pesquisa histórica: Mahajah!ck
Argos, o fantástico navio dos Argonautas que só saiu do porto ao som da lira de Orfeu
Peças da ourivessaria dos Cólquitas
Fonte: PRAVDA ENGLISH
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